O papel vai acabar

Aconteceu em Nova York, em meados do ano 2000, no auge da era apocalíptica que pairava sobre o “resto das mídias” (leia-se resto das mídias como tudo aquilo que não é internet). Uma breve discussão entre os alunos da SVA – School of Visual Arts com um grande desenhista/designer chamado Chuck Jones, que entre suas criações, estão personagens importantes como Pernalonga e sua turma, Tom & Jerry, Pepe Legal, etc.

O causo não é meu, mas de meu irmão, que na época era estudante da SVA em Nova York e me relatou isso quando estive por lá.

Nunca na história desse planeta falou-se tanto sobre o fim do papel, quer seja porque a digitalização vai tomar conta de tudo ou mesmo porque a pressão ambiental está cada vez mais presente.

Entre as diversas discussões sobre o fim do papel, uma delas era sobre o fim do livro em formato impresso. As discussões eram intermináveis e bem fundamentadas, onde de um lado uns diziam que gostavam do cheiro do livro e da facilidade de manuseio, que adoravam sua portabilidade em conjunto com a possibilidade de levá-lo ao banheiro, etc.

Já o outro lado rebateu rapidamente, dizendo que também podemos levar um e-book com facilidade ao banheiro, argumentando maravilhas sobre e-book, como atualização em tempo real, possibilidade de baixar livros remotamente, minimização do impacto ambiental, etc.
No calor dessa discussão, eis que Chuck Jones levantou a sua voz e todos pararam para ouvi-lo: “Podemos levar o e-book ao banheiro, mas e se o papel acabar na hora H?” Todos riram e a audiência chegou a uma mesma conclusão: o papel não vai acabar!